Edith Piaf, a história por trás da lenda

FRANCE - 1961: Edith Piaf (1915-1963), French singer. Paris, Olympia, in January, 1961. (Photo by Lipnitzki/Roger Viollet/Getty Images)

Edith Giovanna Gassion mais tarde conhecida mundialmente como Edith Piaf, nasceu (em dezembro de 1915) e se criou longe do luxo que desfrutou no seus dias de fama.

A lenda diz do que ela nasceu nas ruas de Paris, na rua Belleville, enquanto que algumas outras fontes e o sua certidão de nascimento dizem que nasceu no Hospital Tenon.

Filha de um artista de rua e uma administradora de bordel, Edith teve uma infância dura e complicada. Durante os seus primeiros anos foi criada pela sua avó e anos mais tarde foi morar no bordel que administrava a sua mãe, e com frequência ficava sob o cuidado das prostitutas. Chegou a ficar cega por uma queratite ainda criança,mas conseguiu se curar.

Depois de sair do bordel para trabalhar com o seu pai que fazia apresentações musicais na rua, Edith começou construir seu próprio caminho rumo à fama.

Com 15 anos ela o abandonou e foi viver em um quarto do Grand Hôtel de Clermont, onde, ainda jovem, deu à luz a sua única filha, Marcelle, que faleceu de meningite dois anos depois.

Nessa época, se apresentava com seus próprios números, cantando nas ruas de Pigalle, Ménilmontant, e nos subúrbios de Paris.

Apesar de todo o sucesso que a francesa conquistou durante os anos, a sua vida foi marcada por perdas e tragédias. Aos 20 anos, Piaf conheceu o empresário Louis Leplée, que a batizou como La Môme PiaPf (A Menina Pardal) e a ajudou a gravar o primeiro disco. Tudo corria na mais perfeita paz até a estranha morte do seu mentor, que empurrou a cantora para a miséria. A intérprete conheceu, então, duas pessoas que foram essenciais para a sua vida, tanto artística quanto pessoal: o seu novo mentor e amante Raymond Asso e a pianista Marguerite Monnot.

Piaf ainda criança.

Piaf ainda criança.

Na época da Segunda Guerra Mundial, Edith Piaf era a cantora mais importante na França e apresentava-se para as tropas da França ocupada, muitas vezes acusada de traição pelos sus compatriotas. Além disso, algumas fontes afirmam que ela trabalhava como uma infiltrada da resistência francesa.

Em 1946, Piaf gravou a marcante canção La Vie en Rose, uma das músicas mais conhecidas do mundo. Após a morte do seu novo amor, Marcel Cerdán, devido a um acidente de avião, a cantora escreveu Hymne à l’Amour. Já nos anos 50, a dona de uma voz marcante conquistou uma projeção internacional e, enquanto tentava se livrar do vício na morfina, a cantora casou-se com o cantor Jacques Pills e manteve relações amorosas com Charles Aznavour e George Moustaki, também cantores.

Com o fim da segunda guerra, ela se tornou famosa no mundo todo e viajou a través da Europa, dos Estados Unidos e inclusive para a América do Sul. Na década do 1950 ficou ainda mais popular depois da sua aparição em programas de televisão como o show de Ed Sullivan, onde se apresentou por oito vezes e teve um impacto nunca antes visto no público da América.

Em 1960, a cantora recebeu uma recomendação dos médicos: ela não deveria mais cantar. Piaf, que preferia morrer a deixar de cantar, realizou um show marcante no lendário Teatro Olympia de Paris, em 1961. A francesa estreou Je Ne Regrette Rien para amigos como Alain Delon, Louis Armstrong, Paul Newman, George Brassens, Duke Ellington e Jean-Paul Belmondo.

Edith Piaf realizou shows em toda Europa, sendo os mais importantes os feitos no Olympia Music Hall, onde ela alcançou fama vitalícia se apresentando ali até 1962.

Piaf morreu em outubro de 1963 com 47 anos, depois de lutar em contra do câncer do fígado. De acordo com a lenda e diferentes biografias, suas últimas palavras foram: “Todas as burrices que você faça nessa vida, você paga”.

Conhecida como ” A voz da França”, Piaf recebeu várias homenagens artísticas. Entre elas estão: um livro de memórias de sua amiga Ginou Richer (Piaf, mon amie), uma biografia escrita por Claude Fléoute (Édith Piaf, dix minutes de bonheur par jour, c’est déjà pas mal) ,um livro com uma centena de cartas que escreveu ao seu confidente Jacques Bourgeat entre 1936 e 1959 (Lettres à l’ami de l’ombre) e o filme Piaf: Um Hino ao Amor, estrelado por Marion Cottilard.

Paris Sempre Paris
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Meu nome é Rogerio Moreira, além de jornalista, sou publicitário e estudei em instituições como PUCC, Unicamp e FGV. Apaixonado por história, acredito que o estudo de nosso passado nos ajuda a entender como nos tornamos o que somos hoje. Nesse blog, busco reunir e compartilhar curiosidades e histórias incomuns sobre Paris e a cultura francesa. Dessa forma pretendo mostrar o lado quase que desconhecido da cidade, fora dos roteiros turísticos tradicionais. Vamos comigo nessa viagem?

2 Comments

  1. Avatar Fabiano Donato Leite disse:

    Edith Piaf é eterna. Sua voz e sua resistência humana às adversidades são lindos exemplos de arte. Adoro as canções dela.

  2. Avatar Elivane disse:

    Olá ! Adorei a historia de Edith Piaf, sou apaixonada pela música: la vie em. Rose, essa cantora foi uma grande artista pena que nao foi da minha epoca.

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