Você conhece a escadaria mais bonita de Paris?

Num local praticamente fora dos roteiros turísticos de Paris, no 16arr, pertinho do Trocadero, se esconde uma escadaria ímpar em Paris. Rodeada por majestosos edifícios históricos, se esconde esta verdadeira obra de arte enfeitada com seus belos postes decorativos e abrilhantada pela imponente escultura que se encontra em sua base, que liga o Boulevard Delessert à Avenue de Camões, já na parte de cima da escada, de onde temos uma das mais inusitadas vistas da Torre Eiffel, local muito frequentado por fotógrafos locais para a produção de ensaios com turistas de todo o mundo.

Vista maravilhosa da Torre Eiffel. Créditos: i-Stock

O que realmente dá destaque à escada é o monumento dedicado ao poeta lusitano Luís Vaz de Camões que dá nome à avenida.

A obra, inaugurada em 19 de outubro 1987 por Jacques Chirac, então Primeiro Ministro da França, com a presença do então Presidente de Portugal, Mário Soares, é assinada pela artista portuguesa Clara Menerès e mostra o busto do homenageado tendo à sua frente um caderno, uma espada e uma caneta. Além disso, o Brasão das Armas de Portugal também se faz presente na base da obra.

Curiosidades

O que pouca gente sabe é que esta obra é a segunda homenagem ao poeta no mesmo local. A primeira foi um Busto de Camões, com um pedestal de 5m de altura, de autoria do escultor italiano Luigi Betti, inaugurado em 1912, como mostra a foto acima. Porém a obra foi retirada já no ano seguinte.

Conta-se que os parisienses simplesmente “rejeitaram” a homenagem, provavelmente por não conhecer profundamente o homenageado e sua obra literária. Por outro lado, o que era bem conhecido era a má fama de Camões de ser um homem “desregrado”, “galanteador”, “boêmio”, entre outros motivos… Mas essa é uma outra história e, de tão interessante, merece um artigo exclusivo.

Já em 1924, foi instalado no local um conjunto escultural decorativo, denominado Les Chansons à Bilitis (foto abaixo), que ficou no local até que foi destruído pelos alemães durante a ocupação nazista, durante a segunda guerra. O local ficou vago até 1987, quando a obra atual foi inaugurada.

Em sua próxima visita, vale à pena colocar esse endereço em seu roteiro e apreciar mais essa preciosidade da arquitetura urbana da Cidade-Luz.

Quem foi Camões

Camões não é tão conhecido na França como Shakespeare ou Dante (talvez por causa de seu idioma), mas para nós brasileiros, o nome soa bem mais familiar.

Segundo minhas pesquisas, há poucos registros sobre sua vida. Aparentemente nasceu em Lisboa, em 1524, de uma família da pequena nobreza. Sobre a sua infância tudo é suposição mas, ainda jovem, teria recebido uma sólida educação nos moldes clássicos, dominando o latim, conhecendo a literatura e a história antiga e moderna. Teria estudado na Universidade de Coimbra, mas sua passagem pela escola não é documentada. Frequentou a corte de D. João III e iniciou sua carreira como poeta lírico envolvendo-se, como narra a tradição, em amores com damas da nobreza e provavelmente plebeias, além de levar uma vida boêmia e desregrada. Diz-se que, por conta de um amor frustrado, autoexilou-se na África, alistando-se como militar, onde perdeu o olho direito
em batalha (outros dizem que uma briga por causa de uma de suas amantes é que foi a causa do ferimento no olho).
Voltando a Portugal, feriu um servo do Paço e foi preso. Perdoado, partiu para o Oriente, passando lá vários anos, onde enfrentou uma série de adversidades, tendo sido preso várias vezes, combateu ao lado das forças portuguesas e escreveu a sua obra mais conhecida, a epopeia nacionalista Os Lusíadas.

De volta à pátria, publicou Os Lusíadas e recebeu uma pequena pensão do rei D. Sebastião pelos serviços prestados à Coroa. Em seus últimos anos de vida, queixava-se muito de que suas obras não recebiam o devido valor e parece ter enfrentado dificuldades financeiras para se manter.

Logo após a sua morte aos 56 anos, em decorrência da peste bubônica em 1580, sua poesia começou a ser reconhecida como valiosa e de alto padrão estético por vários nomes importantes da literatura europeia, ganhando prestígio sempre crescente entre o público e os conhecedores, influenciando gerações de poetas em vários países. Camões foi um renovador da língua portuguesa e fixou-lhe um duradouro cânone; tornou-se um dos mais fortes símbolos de identidade da sua pátria e é uma referência para toda a comunidade lusófona internacional. Hoje a sua fama está solidamente estabelecida e é considerado um dos grandes vultos literários da tradição ocidental, sendo traduzido para várias línguas e tornando-se objeto de uma vasta quantidade de estudos críticos. De fato seu prestígio é tão forte que o dia 10 de junho, dia da sua morte, é também o feriado nacional de Portugal.

Como chegar:

Acesso pela Avenue de Camoëns ou pelo Boulevard Delessert

Aproveite seu passeio pela Torre Eiffel e Trocadero e caminhe uma quadra até chegar aqui.

Metrô: Passy (linha 6)

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Meu nome é Rogerio Moreira, além de jornalista, sou publicitário e estudei em instituições como PUCC, Unicamp e FGV. Apaixonado por história, acredito que o estudo de nosso passado nos ajuda a entender como nos tornamos o que somos hoje. Nesse blog, busco reunir e compartilhar curiosidades e histórias incomuns sobre Paris e a cultura francesa. Dessa forma pretendo mostrar o lado quase que desconhecido da cidade, fora dos roteiros turísticos tradicionais. Vamos comigo nessa viagem?

2 Comments

  1. Avatar Tom Pavesi disse:

    Que história! Um trabalho de muita pesquisa e dedicação com a matéria. Demais! Parabéns é sucesso com este seu novo site! Abs!

  2. Avatar Liamar silva mugnaini disse:

    Ótima materia. Sempre é bom mostrar novas opções de visitas a Paris, cidade maravilhosa.

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